Saber que a halitose existe é um passo. Entender de onde ela vem é o que muda tudo.
Em mais de 20 anos tratando pacientes com mau hálito, uma das coisas que mais me impressiona é a quantidade de mitos que circulam sobre as causas da halitose. A mais comum: “o meu problema é no estômago”. Na maioria esmagadora dos casos, não é.
1. Saburra lingual - a causa número 1
A saburra é uma placa bacteriana que se forma sobre a língua, especialmente na sua parte posterior. Ela aparece como uma camada esbranquiçada ou amarelada. As bactérias ali presentes produzem compostos de enxofre - os chamados CVS (compostos voláteis sulfurados) - que são os principais responsáveis pelo odor desagradável.
A boa notícia: a saburra é tratável. A abordagem inclui técnicas específicas de higiene lingual e, quando necessário, intervenções clínicas.
2. Hipossalivação - a baixa produção de saliva como aliada das bactérias
A saliva tem múltiplas funções: umidifica, neutraliza ácidos, possui propriedades antibacterianas e dilui restos de alimento. Quando a produção de saliva cai - seja por uso de medicamentos, doenças sistêmicas ou respiração bucal - as bactérias proliferam e a saburra aumenta.
3. Doenças periodontais
Gengivite e periodontite criam um ambiente anaeróbico ideal para as bactérias causadoras do odor. Tratar a gengiva é, muitas vezes, tratar o hálito.
4. Cáseos amigdalianos
As famosas “bolinhas nas amígdalas” têm o mesmo mecanismo de formação da saburra. Muitos pacientes acreditam que remover as amígdalas resolveria o problema - mas não é assim. Tratar a causa da saburra trata, simultaneamente, os cáseos.
5. Aparelhos ortodônticos e próteses
Tanto os aparelhos fixos quanto as próteses dentárias criam superfícies adicionais para a aderência bacteriana. Quem usa esses dispositivos precisa ter o dobro de atenção com a higiene bucal.
6. Fatores sistêmicos (minoria dos casos)
Refluxo gastroesofágico, rinite crônica, sinusite e algumas doenças metabólicas podem contribuir para a halitose. Mas isso representa menos de 10% dos casos. A origem bucal continua sendo, de longe, a mais prevalente.
Como saber qual é a minha causa?
É aqui que entra o papel do especialista. Sem um diagnóstico diferenciado - é impossível saber com certeza de onde vem o problema.
Tratar halitose sem diagnóstico é como tomar remédio sem saber o que se tem. O tratamento pode não funcionar, ou pior: mascarar o sintoma sem resolver a causa.
