Halitose

As principais causas do mau hálito - e como identificá-las

Dra. Neliane Teixeira · CRO-SP 110523 · Especialista em Halitose

Saber que a halitose existe é um passo. Entender de onde ela vem é o que muda tudo.

Em mais de 20 anos tratando pacientes com mau hálito, uma das coisas que mais me impressiona é a quantidade de mitos que circulam sobre as causas da halitose. A mais comum: “o meu problema é no estômago”. Na maioria esmagadora dos casos, não é.

1. Saburra lingual - a causa número 1

A saburra é uma placa bacteriana que se forma sobre a língua, especialmente na sua parte posterior. Ela aparece como uma camada esbranquiçada ou amarelada. As bactérias ali presentes produzem compostos de enxofre - os chamados CVS (compostos voláteis sulfurados) - que são os principais responsáveis pelo odor desagradável.

A boa notícia: a saburra é tratável. A abordagem inclui técnicas específicas de higiene lingual e, quando necessário, intervenções clínicas.

2. Hipossalivação - a baixa produção de saliva como aliada das bactérias

A saliva tem múltiplas funções: umidifica, neutraliza ácidos, possui propriedades antibacterianas e dilui restos de alimento. Quando a produção de saliva cai - seja por uso de medicamentos, doenças sistêmicas ou respiração bucal - as bactérias proliferam e a saburra aumenta.

3. Doenças periodontais

Gengivite e periodontite criam um ambiente anaeróbico ideal para as bactérias causadoras do odor. Tratar a gengiva é, muitas vezes, tratar o hálito.

4. Cáseos amigdalianos

As famosas “bolinhas nas amígdalas” têm o mesmo mecanismo de formação da saburra. Muitos pacientes acreditam que remover as amígdalas resolveria o problema - mas não é assim. Tratar a causa da saburra trata, simultaneamente, os cáseos.

5. Aparelhos ortodônticos e próteses

Tanto os aparelhos fixos quanto as próteses dentárias criam superfícies adicionais para a aderência bacteriana. Quem usa esses dispositivos precisa ter o dobro de atenção com a higiene bucal.

6. Fatores sistêmicos (minoria dos casos)

Refluxo gastroesofágico, rinite crônica, sinusite e algumas doenças metabólicas podem contribuir para a halitose. Mas isso representa menos de 10% dos casos. A origem bucal continua sendo, de longe, a mais prevalente.

Como saber qual é a minha causa?

É aqui que entra o papel do especialista. Sem um diagnóstico diferenciado - é impossível saber com certeza de onde vem o problema.

Tratar halitose sem diagnóstico é como tomar remédio sem saber o que se tem. O tratamento pode não funcionar, ou pior: mascarar o sintoma sem resolver a causa.